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Porque será tão difícil não amar as aves?
Pergunto-o desde a primeira vez que escrevi a palavra “ave” num poema. Mas a pergunta subiu de tom e ganhou novas implicações: por que porta se infiltra na gente esta predilecção?
Será o temperamento belicoso do pardal, o grande arruaceiro do miúdo mundo alado? Será o luto grave-mente induzido pelas vestes negras do melro? Será a garganta do rouxinol, que nos devolve, afinadas, uma por uma, todas a notas da escala? Será o porte grácil da andorinha, quando gorjeia o seu cansaço, pousada no fio do telefone, ou as cores da plumagem do pintassilgo?
O certo é que é difícil não amar as aves.
(A. M. Pires Cabral, da nota de autor)
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A. M. Pires Cabral (1941) | Entre o livro de estreia (Algures a Nordeste, edição de autor, 1974) e A Partilha do Lume (Assírio & Alvim, 2025), publicou 21 livros de poesia. Prémios de poesia: D. Dinis 2006; Luís Miguel Nava 2009; PEN Club 2009; SPA 2014 e 2025; João de Deus 2021; António Gedeão 2022; Ruy Belo 2022; Tabula Rasa 2023; Oeiras 2026. Tem ainda uma vasta obra publicada no domínio do romance, do conto e da crónica. Traduzido para alemão, inglês, castelhano e italiano.
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Edição: Setembro de 2026 | ISBN: 978-989-9241-42-8 | Páginas: 56 | Encadernação: capa mole | Formato: 12cmx22cm